Jalapão: Os Fervedouros e Cachoeira da Formiga

Quem já ouviu falar do Jalapão, com certeza também já ouviu falar de seus fervedouros, fenômenos únicos que só acontecem por lá.

O que eu não esperava é que uma simples curiosidade: o fato de que nos fervedouros não é possível afundar, também revela lugares de beleza e de águas incrivelmente transparentes.

Aliás, o que também iríamos encontrar na Cachoeira da Formiga, que visitamos no mesmo dia.

Esse post faz parte de nossa série de postagens sobre o Jalapão, em que mostramos o que fazer baseado nessa viagem que fiz em conjunto com os Adventure Bloggers em setembro de 2013.

Além de mostrar as paisagens e emoções, também iremos falar um pouco dos trajetos, da infraestrutura e da organização pela Korubo Safaris Ecológicos, que organizou nosso passeio. 

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga

Diário de Viagem | Jalapão – Dia 3

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Fervedouro da Korubo, água limpa, de cor incrível e o fenômeno que impede as pessoas de afundar

Terceiro dia no Jalapão. Como sempre, acordamos cedo pois os passeios no Jalapão implicam em grandes deslocamentos. Nesse dia era hora de visitarmos os famosos fervedouros no Jalapão.

Para chegar a eles, seguimos pela mesma estrada do caminho para as Dunas do Jalapão, a TO-225, que segue até Mateiros. Mas o caminho era ainda mais extenso do que aquele até as dunas. Depois de percorrer a mesma estrada de terra, passamos pela entrada para as dunas e seguimos viagem, sempre com a paisagem da Serra do Espírito Santo na nossa paisagem.

Afinal, depois de quase 3 horas de estrada a partir do acampamento da Korubo, chegamos no primeiro fervedouro do dia, o Fervedouro da Glorinha. Depois de uma curta caminhada, chegamos na entrada do fervedouro.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Entrada da trilha para o fervedouro, o caminho é curto

É cobrada uma taxa de R$ 10,00 por pessoa, mas no grupo da Korubo, não tivemos que pagar nada, o valor da entrada já estava incluso. Aliás, o legal da viagem com a Korubo é que você passa todos os dias sem gastar praticamente nada. Todas as refeições estão inclusas, entradas e transporte. A única vez que peguei na carteira foi para comprar o artesanato do Capim Dourado em Mateiros.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Na chegada, todo mundo parou para fotografar o fervedouro
Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
As instruções de uso do fervedouro da Glorinha

O fervedouro é uma pequena piscina natural cercada por folhas de bananeira. Pelo tamanho e pela fragilidade, só podem entrar 6 pessoas por vez. O limite também garante que o mergulho seja mais tranquilo. Mas em função da quantidade de pessoas (estávamos em um grupo de 24 pessoas), cada grupo teve apenas 20 minutos para ficar no fervedouro. 

Os 20 minutos foram pouco. A dica inicial de nosso guia Mauro, da Korubo Safaris Ecológicos é entrar correndo. Repentinamente, você cai num buraco na água, onde teoricamente não daria pé. Mas você não afunda. No vídeo que editamos dá para ter uma ideia desse momento.

 

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As brincadeiras prosseguem em tentar afundar e não conseguir.

O fenômeno ocorre porque bolhas de ar brotam do fundo do fervedouro, emergindo uma areia finíssima. As bolhas impedem que as pessoas afundem. O nome fervedouro vem justamente dessa efeito provocado pelas bolhas, mas o efeito é apenas visual: a temperatura não é quente nos fervedouros.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Nosso grupo do Adventure Bloggers no fervedouro – Parte 1

Se possível, leve sua câmera subaquática e até mesmo um óculos de mergulho. O visual embaixo da água é incrível: a água é incrivelmente transparente e também é possível ver alguns pequenos peixes. Outra curiosidade é olhar para o fundo e ver as bolhas brotando do fundo do fervedouro e levantando a areia.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Olha só como as águas são transparentes: faltou só um óculos de mergulho para eu enxergar melhor

Depois dos 20 minutos, hora de sair do fervedouro e ir até um rio próximo, onde é possível se limpar da areia que pode ter entrado dentro dos trajes de banho. O banho de rio não foi muito agradável pela presença de incômodas moscas.

Após todos os grupos terem curtido seus 20 minutos de glória no fervedouro da Glorinha, partimos para mais um fervedouro, dessa vez o fervedouro do Soninho, ou da Korubo, já que fica dentro de propriedade da empresa.

O fervedouro do Soninho é bem maior do que o da Glorinha e por conta disso, não apresenta limitação de acesso. Por outro lado, o efeito das bolhas é menos sentido, mas a transparência e beleza das águas é igualmente incrível. 

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Fervedouro do Soninho
Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Um dos olhos d’água de onde brotam as bolhas do fundo do fervedouro

Eu que não sei nadar, me deliciei nas águas desse fervedouro que, apesar de em vários pontos não dar pé, me impedia de afundar. Era como se eu subitamente tivesse aprendido a nadar. De qualquer forma, foi nesse dia que eu me determinei a aprender a nadar, definitivamente. Fervedouro é só aqui no Jalapão mesmo.

Eu nas águas do fervedouro do Soninho

Depois desse fervedouro, foi a hora de almoçarmos, ali mesmo no saída do fervedouro da Korubo.

A terceira parada do dia foi na incrível Cachoeira da Formiga. Incrível porque depois de termos visto as águas incríveis dos fervedouros, ninguém esperava que veríamos uma cachoeira de beleza tão única e de águas ainda mais transparentes e esverdeadas. 

Quando chegamos, foi uma sucessão de fotos. Eu fotografei a cachoeira algumas vezes e olhava para ela e começava a fotografar novamente. Nenhuma foto parecia ser o bastante.

Cachoeira da Formiga Jalapão
A incrível Cachoeira da Formiga

O acesso para a cachoeira pode ser feito de diversas formas. Algumas escadinhas estão distribuídas e uma plataforma permite o mergulho. Uma alternativa mais tranquila é entrar pela lateral, onde um caminho de águas super tranquilas e baixas, na altura da cintura, permitem que os menos aventureiros possam ir caminhando.

Quando se chega no poço central, a força das águas é impressionante (mesmo em época de seca) e é difícil não se deixar levar pelas águas. Um dos registros que adorei fazer foi esse debaixo da água, com a força das águas correndo contra a câmera e ao mesmo tempo todos os tons de verde encontrados na cachoeira.

Cachoeira da Formiga debaixo d’água: força das águas e tons verdes

O pessoal brincou muito na cachoeira, com mergulhos e também banhos na base da cachoeira. Em determinado momento, registramos esse momento com todos os Adventure Bloggers reunidos, fotografia tirada pelo nosso companheiro de grupo Marcos.

Todo o grupo do Adventure Bloggers reunido na Cachoeira da Formiga

Ninguém queria ir embora, mas chegou a hora de partir. Por volta das 16h abandonamos a cachoeira e por volta das 17h chegamos em Mateiros.

A parada em Mateiros foi para visitar uma loja de artesanato de Capim Dourado. Achei a parada um pouco decepcionante, apenas uma loja com alguns produtos dispostos, nenhuma informação de como eles são confeccionados ou contato com artesões.

O objetivo principal, que é o de comprar o artesanato que aqui pode ser encontrado muito mais barato, foi atingido. Quem quis, pode comprar bastante produtos, embora exista também a alternativa de comprar artesanato no próprio acampamento da Korubo, pelos mesmos preços. 

Capim Dourado
Artesanato do Capim Dourado em Mateiros
Capim Dourado Jalapão
Produtos de Capim Dourado encontrados no acampamento da Korubo

Mateiros tem pouco mais de 2.000 habitantes e fica 240 km distante de Palmas, capital do Tocantins. Além da Casa do Artesão, onde é possível encontrar o artesanato, existe uma praça e uma sorveteira. O resto são as casas de seus moradores. 

Aqui foi a oportunidade para falar ao telefone, já que durante toda nossa estadia no Jalapão ficamos sem sinal de telefonia celular. Já o acesso à internet foi um pouco mais complicado e não consegui postar nenhuma foto.

A praça de Mateiros
Parada para sorvetes e lanches

O final de tarde foi chegando e foi um dos mais belos da viagem, o sol estava muito perto e tingiu o céu de cores incríveis. Nada melhor para encerrar um dia cheio de lugares lindos do que um belo pôr do sol.

O retorno até o acampamento foi demorado e quando chegamos ainda jantamos e recebemos as instruções para o próximo dia, que seria o do Trilha para a Serra do Espírito Santo. E assim terminou mais um dia no Jalapão.

Um belo final de tarde em Mateiros

© 2013 Fabio Pastorello. Todos os direitos reservados. A reprodução de textos e/ou imagens não é permitida sem prévia autorização do autor.

 

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Fabio Pastorello

Fabio Pastorello

Editor do Viagens Cine, fotógrafo e videomaker. Curte cinema e leva a vida e as viagens com toques de romance, drama e aventura. Formado em Letras, ex-bancário e muito mais feliz como blogueiro de viagens.

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