Jalapão: Trilha da Serra do Espírito Santo

Minha maior expectativa antes de ir ao Jalapão era fazer uma trilha até o topo de um chapadão e conferir um pôr de sol lá de cima. Minhas lembranças remetem ao Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina. Lógico que também fiquei com um receio de conseguir fazer a trilha, que é uma subida íngreme, e não ‘morrer’ no meio do caminho. Veja como foi nossa subida até a Serra do Espírito Santo e também outra trilha que fizemos no mesmo dia, dentro do acampamento da Kurobo.   

Esse post faz parte de nossa série de postagens sobre o Jalapão, em que mostramos o que fazer baseado nessa viagem que fiz em conjunto com os Adventure Bloggers em setembro de 2013. Além de mostrar as paisagens e emoções, também iremos falar um pouco dos trajetos, da infraestrutura e da organização pela Korubo Safaris Ecológicos, que organizou nosso passeio. 
 

Jalapão: Trilhas no Cerrado e na Serra

Diário de Viagem | Jalapão – Dia 4 

por Fábio Pastorello

 
Final de tarde na Serra do Espírito Santo: trilha aguardada

Nosso dia no acampamento da Korubo Safaris Ecológicos começou bem cedo. Acordamos por volta das 4h da manhã, pois a intenção era fazer a trilha até a Serra do Espírito Santo pela manhã, já que o caminho é puxado e fazê-lo ainda por cima num horário muito tarde, em que o sol estiver brilhando a pino, seria extenuante.

No dia anterior, o guia Mauro ainda alertou que o caminho era difícil, e algumas pessoas desistiram de ir. O café da manhã foi preparado pelo pessoal da Korubo de uma forma diferente, alguns salgados foram dispostos e comi alguns e embrulhei outros para viagem, com papel alumínio que estava disponível. Aliás, os salgados estavam deliciosos. Tudo tinha que ser rápido para não perdermos muito tempo.

Entramos no caminhão e nos preparamos para partir. O caminhão da Korubo andou um pouco. De repente, um barulho e o caminhão parou. Uma mola do veículo havia quebrado. O conserto demoraria algum tempo, voltamos todos para o acampamento e faríamos o passeio novamente à tarde. Alguns preferiram ir dormir.

Como uma das tarefas mais difíceis para mim é acordar cedo para ver o nascer do sol, e eu já estava acordado, resolvi aproveitar e conferir esse momento. Todo o pessoal do Adventure Bloggers se juntou na beira do rio para conferir o evento. 

Eu já tinha conferido o nascer do sol em outro dia, mas nesse foi realmente especial. Lindíssimo.

Nascer do sol às margens do Rio Novo, na prainha do acampamento da Korubo
O sol finalmente surge entre as árvores na outra margem do rio

Depois do nascer do sol, novamente o dilema, voltar para a barraca e dar uma cochilada ou aproveitar um pouco mais o acampamento. Como era nosso último dia inteiro por ali, resolvi ficar acordado mesmo e curtir cada segundo no acompamento da Korubo.

Junto com um pessoal muito querido que estava no nosso grupo, começamos uma trilha bem tranquila a beira do rio, em direção de uma praia fluvial. A trilha leva cerca de 1h e tem uns 2km, mas garante um contato muito próximo com a vegetação do cerrado e com as margens do rio. No caminho, é garantido ver alguns pássaros, flores e até veredas com buritis. Tudo bem pertinho do nosso acampamento.

Trilha pelo cerrado
O sol ainda nascendo na trilha
O rio novo é uma constante nesse passeio, apesar da aridez aparente do cerrado, a vida surge em diversos momentos

Depois de um trecho de caminhada, encontrei alguns amigos do Adventure Bloggers e seguimos a caminhada até a prainha prometida. A praia é super agradável e permite um gosto banho de rio, o difícil mesmo é conviver com alguns mosquitos.

A prainha do rio Novo, no final da trilha
Flores do cerrado

Voltei um pouco mais cedo para o acampamento do que o resto do pessoal, foi uma gostosa caminhada pelo cerrado, com paradas para fotos no caminho. Até tentei registrar algumas araras que cruzaram meu caminho, mas elas foram mais rápidas do que eu. Quando cheguei no acampamento, ainda devorei os salgados que eu tinha embrulhado para comer na trilha.

Manhã tranquila na prainha do acampamento, curtir o rio ou simplesmente de ficar de boa esperando o almoço. Por volta das 15h30 partimos de volta para a trilha da Serra do Espírito Santo. Dessa vez até deu nervosinho na hora de ligar o caminhão, mas deu tudo certo e saímos.

 

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O caminho novamente é longo, muita estrada de terra (a estrada TO-225 que segue em direção a Mateiros), mas o bom é que no caminhão da Korubo sempre dá para conseguir um lugar na parte externa e ficar admirando a paisagem, que é belíssima. 

No caminho, paramos para ajudar um carro atolado na estrada, o que acabou nos atrasando um pouco.

Carro atolado na estrada para Mateiros, caminho não é para qualquer veículo

Passamos pela entrada para as dunas do Jalapão (o caminho é o mesmo) e seguimos ainda mais um pouco adiante. No caminho, o nosso guia Mauro ainda nos deu algumas castanhas e frutas, para dar uma energia extra para a trilha.

Eu precisaria. Além de ter que subir cerca de 1km montanha acima, eu estava com o nariz obstruído, provavelmente por causa do tempo seco na região. Ou seja, além do esforço normal que eu teria para subir uma trilha, ainda subi-la com dificuldade para respirar pelo nariz seria uma dificuldade adicional. Pelo menos o sol não estava tão forte, o que por um lado era ruim pois não deixou a paisagem tão bonita, por outro lado foi bom porque deixou a trilha um pouco mais castigante.

Nosso objetivo: chegar ao mirante da Serra do Espírito Santo

A trilha até o Mirante da Serra do Espírito Santo começa e requer cuidados. Apesar de em vários trechos a trilha contar com cordas que ajudam bastante a subir ou buscar um apoio adicional para os trechos mais complicados, existem várias pedras soltas no caminho, que demandam atenção redobrada. 

Uma coisa que nos ajudou a refrescar diante do calor típico da região foram as Cool Towels, toalinhas que quando balançadas ficam super geladinhas e em contato com o corpo provocam uma boa refrescância. Alívio muito bem-vindo na hora da trilha.

Pedras soltas no caminho atrapalham, mas as cordas auxiliam para subir a trilha

Depois de algo em torno de 1 hora de subida, com paradas para fotos, lógico, chegamos ao topo. Em momentos diferentes, aliás, cada um chegou no seu momento. Aliás, os guias da Korubo se distribuem entre o pessoal para que ninguém fique sozinho na trilha. Mauro seguiu na frente e outro guia acompanha o pessoal que ficou mais para trás.

Serra do Espírito Santo, trilha que fizemos no final de tarde
No caminho, rolam boas desculpas para fazer aquela paradinha e curtir o visual,
enquanto a gente descansa e tenta recuperar o fôlego

Quando cheguei lá no topo, o guia Mauro nos esperava para um tradicional foto em uma pedra, com a serra e o vale como pano de fundo. O lance é ficar na pontinha de uma pedra que a foto fica ainda mais irada, mas o problema é mesmo coragem para ficar bem na extremidade. Eu sou um pouco medroso, então fiquei quase lá. rs.

Infelizmente, para tirar um pouco da magia do lugar, quem olha essa foto pensa que sentei tranquilamente nessa pedra e fiquei observando a vista enquanto fui fotografado. Na realidade, fui até a pedra enquanto o nosso guia Mauro me fotografava em algumas posições, mas nem pude ficar muito tempo, pois além de uma fila atrás de mim de pessoas que também queriam ir até a pedra e ser fotografadas, tínhamos mais um restante de trilha para percorrer. De qualquer forma, o cenário é incrível, pena que realmente não pudemos ficar mais tempo para admirar.
Hora de parar para tirar uma fotografia diante desse cenário incrível
Vamos se jogar no mundo!!!

O dia estava terminando e tínhamos apenas mais alguns minutos para chegar até o ponto final da trilha do Mirante da Serra do Espírito Santo, e ainda faltavam mais 3 km de trilha. A sorte que eram 3 km de trilha plana, mas ainda assim eram 3 km. 

Fiz a trilha correndo na maior parte dos momentos. O sol ia descendo, o que aumentava o meu desejo de chegar ao final da trilha antes que o sol encontrasse o seu ocaso. Por via das dúvidas, no meio da trilha resolvi fazer alguns registros, para o caso de não encontrar mais o sol naquele dia. No meio da trilha encontrei o Guilherme, e seguimos na trilha em busca de mais um pôr do sol.
Essa foto representa um pouco dessa minha paixão pelo pôr do sol, de como ele modifica a paisagem e transforma
tudo, ao mesmo próximo, ao mesmo tempo distante
Depois de mais de 30 min de trilha, que pareceram muito mais longos em função da corrida contra o tempo, chegamos no final.

Encontramos afinal o ponto onde por força do vento e das águas, as serras se transformando em dunas. Dois dos pontos mais emblemáticos do Jalapão reunidos, um dando origem ao outro. 

E o melhor, chegamos antes do sol se esconder atrás de algumas nuvens. Tá certo que não foi um pôr do sol bonito, pelo contrário, o sol estava bem tímido atrás do céu enevoado, mas representou o final de mais um dia no Jalapão.
E no final das contas, nem era para estarmos ali naquele momento, já que aquele passeio havia sido programado para a manhã, então aquele pôr do sol do alto da serra veio no lucro. E que lucro, vamos combinar.
O sol tímido em suas últimos momentos, no final da trilha do mirante da Serra do Espírito Santo
Pessoal no final da trilha
Lembrei aqui novamente do pôr do sol no Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina. Em uma das viagens, fizemos a trilha até o topo do morro no meio do dia, e ao chegarmos lá em cima encontramos a paisagem repleta de nuvens que impediam completamente a vista. Insistimos tanto que o guia resolveu nos levar novamente ao topo do Pai Inácio, dessa vez no entardecer, e finalmente contemplamos uma vista da Chapada (e do pôr do sol) que tanto sonhamos.
De uma forma ou de outra, as viagens têm esse encanto, de não somente atender nossas expectativas, mas muitas vezes superá-las de uma forma positiva, de uma forma surpreendente. Numa viagem, tudo pode acontecer.
Mas a trilha ainda não tinha terminado. Foram mais 30 minutos de volta (ou 3 km) e no momento em que terminamos a parte da trilha plana, tinha escurecido totalmente.

Tivemos que fazer a trilha de descida na mais completa escuridão, justamente a descida que para mim é mais complicada que a subida, por conta dos riscos de escorregar e pela pressão nos joelhos. As pedras soltas no caminho completam o risco. Cada um com sua lanterna, que fomos alertados previamente a levar, descemos vagarosamente a trilha. 

Com cuidado, todos conseguimos chegar sãos e salvos em “terra firme”. E super cansados, sentamos no chão enquanto esperávamos todo o grupo terminar de descer, e ficamos contemplando o céu absolutamente estrelado de mais uma noite no Jalapão.
E para completar o dia, a nossa despedida no acampamento do Jalapão, o pessoal da Korubo organizou uma fogueira cheia de histórias e o pessoal todo reunido para curtir a noite no cerrado.
Noite de fogueira depois de um dia de trilhas
Confiram também nosso vídeo desse dia.




© 2013 Fabio Pastorello. Todos os direitos reservados. A reprodução de textos e/ou imagens não é permitida sem prévia autorização do autor.
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Fabio Pastorello

Editor do Viagens Cine, fotógrafo e videomaker. Curte cinema e leva a vida e as viagens com toques de romance, drama e aventura. Formado em Letras, ex-bancário e muito mais feliz como blogueiro de viagens.

10 comentários

  1. Oi, Cris. Nossa, obrigado, mas não sou tão corajoso não, pelo contrário, estou mais é para o medroso mesmo. rs. Mas eu costumo separar medo e limites. Quando eu vejo que é medo, vou em frente para ele não me impedir de fazer as coisas. Já os limites, é preciso respeitá-los. Quanto às fotos, muitíssimo obrigado. Bjsssss.

  2. Fábio, você como sempre me surpreende! Nunca imaginei, vendo as suas fotos, que você teve um pouco de receio de ir até a ponta da pedra. Parabéns por sua ousadia e coragem que não o limita diante de alguns obstáculos. É realmente inspirador!

    E que fotos são essas? Primeiro eu vi as fotos, depois li o post e por fim, voltei a ver as fotos. rsrs MARAVILHOSAS!

    Bjoo grande!

  3. É isso aí, povo valente e suado, mas chegamos lá!!! Mas os outros registros também foram ótimos, afinal se por um lado foi legal ter ido até o final, também senti falta de curtir melhor aquele mirante logo que chegamos no topo. Foi um ótimo dia mesmo! Abs.

  4. Olá, Jr. Muito obrigado, adorei a referência ao Van Gogh, realmente é uma inspiração pois adoro caprichar nas "pinceladas" fotográficas e nas cores, assim como o mestre. Abração!

  5. E aí, povo valente que foi até o fim da trilha! A foto dos "vencedores" ficou muito boa, né? Se bem que estou louco para ver as fotos que a Roberta e a Lilian fizeram na outra trilha que elas praticamente reabriram. Foi muito legal esse dia!

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