Caminho dos Canyons – Trilha pelo Interior do Canyon Malacara

Dia do Canyon Malacara. Prosseguimos nos relatos da viagem para a região de Aparados da Serra, no sul do país, onde se encontram diversos canyons que podem ser percorridos tanto pelas bordas (parte superior) como pelas fendas (parte inferior).
O mais famoso desses canyons é o Itaimbezinho, que a maior parte das pessoas visita através de passeios a partir de Gramado. A trilha pelo seu interior também é a mais famosa, a Trilha do Rio do Boi. Mas a região possui vários canyons e possibilidade de passeios. 

No primeiro dia, visitamos logo o Canyon Itaimbezinho, que impressiona pelas dimensões e pelas cachoeiras facilmente avistadas. Esse passeio fizemos durante a manhã. A operadora de ecoturismo Rota dos Canyons, que organizou o nosso passeio, em geral oferece o passeio ao Itaimbezinho no mesmo dia de uma trilha pelo interior do Canyon Malacara. Foi o que fizemos. 

Parque Nacional da Serra Geral – Canyon Malacara

Caminho dos Canyons | Diário de Viagem – Parte 2

por Fábio Pastorello
 
Trilha pelo interior do Canyon Malacara, muitas pedras e água pelo caminho

EXT. SERRA DO FAXINAL – DIA

Depois de visitar o Parque Nacional de Aparados da Serra e as suas duas trilhas até o Canyon Itaimbezinho, voltamos novamente pelo mesmo caminho da ida e descemos a Serra do Faxinal, de volta a Praia Grande/SC.
Como já dissemos, todos os passeios pelas bordas dos canyons são no Rio Grande do Sul enquanto os passeios pela parte inferior são em Santa Catarina.

INT. RESTAURANTE CASA NOSSA | VILA ROSA – DIA

O almoço é sempre uma hora bem-vinda e paramos em um restaurante de comidinha caseira no bairro de Vila Rosa, já no município de Praia Grande. O restaurante chama-se Casa Nossa Restaurante Rural. A comida é bem simples.

Fiquei encantado com o cuidado das casas pelo caminho que, embora simplesmente, são quase sempre decoradas com flores.
  

EXT. ESTRADA DE VILA ROSA – DIA

Depois do almoço, seguimos para a entrada da trilha, ainda na Estrada de Vila Rosa.

A trilha do Canyon Malacara fica no Parque Nacional da Serra Geral. O parque foi criado em 1992 e sua principal atração é o Canyon Fortaleza. Para fazer a trilha pela fenda do Malacara, é necessário o acompanhamento de um condutor de ecoturismo credenciado junto ao parque.

A trilha não pode ser realizada em dias de chuva, quando o leito do rio sobe, e é preciso cruzar o rio algumas vezes, por isso o acompanhamento de um guia que conhece a região é necessário para evitar riscos.

O Guilherme, da Rota dos Canyons, nos acompanhou no passeio. Além de guiar o grupo, ele também forneceu ao grupo algumas caneleiras, que ajudam a proteger as pernas durante a trilha, tanto de trombar em pedras como até de picadas de animais peçonhentos.
  
Nesse início, Guilherme também nos orienta em alguns procedimentos durante a trilha, como não deixar lixo dentro do parque (nem mesmo lixo orgânico) e caminhar sempre junto ao grupo, para não se perder. É hora também de dar uma alongada nas pernas e braços e preparar-se para a caminhada.
Início da Trilha do Malacara

EXT. TRILHA DO MALACARA – DIA

A trilha é considerada de nível moderado a avançado, em virtude do terreno acidentado a percorrer.

A maior parte do tempo você caminha em terreno com pedras, e não terreno plano. Cuidado redobrado para não tropeçar ou torcer o pé. No início da trilha, as pedras ainda são pequenas, mas conforme avançamos pelo interior da fenda do canyon, as pedras vão ficando maiores, e a dificuldade aumenta.

Essa trilha leva cerca de 3 horas ida e volta e é considerada como um preparativo para a trilha do Rio do Boi (no interior do Canyon Itaimbezinho). Ou seja, é o mesmo tipo de trilha, onde você caminhará em terreno acidentado sobre pedras e com o pé molhado a maior parte do tempo. 

A diferença é que, segundo Guilherme, a trilha do Malacara possui 1/5 da dificuldade do Rio do Boi (que leva o total de 8 horas para ser percorrida).
Outro detalhe é que você deve percorrer a trilha de tênis, não é permitido fazer a trilha de sandálias ou chinelos, muito menos descalço. Esse detalhe me incomodou um pouco, de ter que fazer a trilha com os pés e tênis molhados, mas no final das contas acabou não incomodando tanto.
Um dos momentos em que é preciso cruzar o rio e molhar os tênis torna-se inevitável
Apesar desses detalhes, considerei a trilha de nível moderado, somente um pouco cansativa em função de caminhar sobre pedras. Eu sempre ficava no final do grupo, mas para minha defesa, era porque eu ficava tirando fotos e fazendo as filmagens do passeio.
Conforme caminhamos, as pedras vão ficando um pouco maiores. Em alguns trechos do rio, a água está limpa e podemos aproveitar para encher novamente nossas garrafas de água.
Trecho do rio com águas bem límpidas
As pedras vão ficando maiores e o volume de água do rio aumenta
Caminhada prossegue percorrendo as margens do rio
Depois de algum tempo de caminhada, já é possível notar como a paisagem se modificada, e começam a surgir pequenas quedas de água. Isso indica que já estamos chegando nas piscinas naturais, a meta final de nosso passeio.
Apesar do tempo não estar ensolarado, vez por outra o sol aparecia e como a região encontra-se entre montanhas, o calor parece ainda maior do que de costume. Outro fator que influencia a temperatura é estarmos no nível do mar.
Portanto, os momentos em que cruzamos o rio e temos que molhar os pés acabam sendo muito refrescantes. Mas nada se compara a uma deliciosa piscina natural.
Uma das pequenas quedas de água, já indicam que estávamos próximos da piscina natural
E finalmente chegamos na piscina natural do Malacara. Rapidamente tiramos nossas roupas, exceto os tênis, afinal ainda existem pedras aqui na piscina. A água estava bastante gelada, mas como estava todo mundo com muito calor, ninguém hesitou para entrar na água.
E a opinião de todos foi unânime. Aquele foi um dos banhos de piscina natural mais gostosos que experimentamos. A água é muito transparente e embora fria, foi muito refrescante. Durante o resto da viagem, todo mundo ficou lembrando desse banho de piscina no Malacara.
  
O retorno foi mais tranquilo e por volta das 16h30 terminamos a trilha. No finalzinho, uma das nossas companheiras de trilha se desiquilibrou e quase caiu na água, sorte que sua irmã segurou ela. Na realidade, a queda não seria tão grande, o problema mesmo foi molhar a câmera fotográfica. Portanto, é bom ficar atento.

Cabe um adendo aqui para nosso primeiro jantar proporcionado pela Rota dos Canyons, na pousada em que ficamos hospedados. Simplesmente delicioso, fechamos o dia com chave de ouro.

Pratos e sobremesas deliciosas no jantar proporcionado pela Rota dos Canyons

Veja também o vídeo de nossa trilha pelo Malacara.



FICHA TÉCNICA:
Título: Parque Nacional da Serra Geral | Trilha pelo Interior do Canyon Malacara
Direção: Praia Grande / Santa Catarina
Roteiro: Estrada da Vila Rosa e Trilha do Malacara
Fotografia: Fábio Pastorello
O melhor: a piscina natural no final da trilha, é com certeza o exemplo do lugar certo no momento certo
O pior: ter que secar os tênis depois da trilha, é bem levar um par extra para os passeios do dia seguinte
Ano: 2013
País: Brasil
Horário: todos os dias, das 8h às 17h00 (em dias de muita chuva a entrada é proibida)
Preço Rota dos Canyons (o passeio é vendido em conjunto com a Trilha pelo Interior do Canyon Malacara, que é feita no mesmo dia do Itaimbezinho): R$ 125,00 por pessoa, para grupos com pelo menos 4 pessoas, em transporte da operadora ou R$ 85,00 por pessoa em transporte próprio (inclui guia de turismo, ingresso ao parque, mini-lanche e seguro). No caso de grupos menores, os preços aumentam.
Gênero: Natureza
Avaliação: ★★★★
Nota: A nossa hospedagem e passeios nos Aparados da Serra foram uma cortesia da Rota dos Canyons, mas as opiniões aqui expressas indicam a livre expressão do autor. 


© 2014 Fabio Pastorello. Todos os direitos reservados. A reprodução de textos e/ou imagens não é permitida sem prévia autorização do autor.
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Fabio Pastorello

Fabio Pastorello

Editor do Viagens Cine, fotógrafo e videomaker. Curte cinema e leva a vida e as viagens com toques de romance, drama e aventura. Formado em Letras, ex-bancário e muito mais feliz como blogueiro de viagens.